Terça-feira, Maio 29, 2012

Ácida pluma

A tua mão em minha pele...
silêncio.
Sal, saliva, limão...
distância.
Nosso corpo,
ácido sabor.

Síntese
do toque
do sonho
da voz de longe
fragmentada.

Do ar que leva –
pluma –
o aroma.


Lee Flôres Pires

Sábado, Maio 19, 2012

Mar

a Neire Costa

Quando o mar vem,
traz com ele
a ressaca.

Traz também:
o sal que arde
a boca, o corte,
a correnteza
sangrenta
de morte,
de paus,
de pedra
e de sorte.


Lee Flôres Pires

Quinta-feira, Maio 17, 2012

Coração

a Neire Costa

O coração
engrossa
o caldo,
a carne só.
 

Goza,
enverga,
entrega,
estraga
qualquer
fossa
encaliçada
sem proporção.



Lee Flôres Pires

Quinta-feira, Maio 10, 2012

Mural de avisos

Vai meu bem,
mas não esquece
seus lírios no jardim,
suas conchas na areia
e saia vestida de beleza
pra não deixar que a tristeza
adentre a porta e diga sim.


Lee Flôres Pires

Terça-feira, Maio 08, 2012

Quadris

Que a reação dos quadris
te cause vias profanas
e teu verso sacro
coagule tudo que secretei.

Que a dor etílica seja injetada
no osso e no orvalho;
no nervo ciático
de minha lombociatalgia.

saliva sutra,
sexo, sangue
e sentimento -
sinestesia
da péle
do toque,
nus:
tua
minha
transfusão.


Lee Flôres Pires

Terça-feira, Maio 01, 2012

Primaveras

Não há sonhos
a tristeza corriqueira dos apartamentos
cancela nosso toque.
Esfria nossas bocas
e dentes remotos do amanhacer.

Rapta a alegria vestigiosa
de não ser imorte.
Cala
o mais belo jeito
de resplandecer.

Não há primaveras
os dias inertes moem os aromas
trituram as pétalas
das flores que murcham
sem você.


Lee Flôres Pires

Segunda-feira, Abril 23, 2012

Mundo de Sofia

a Sofia Abreu

Não lembra?
Aquela mesa
aquele bar
aquele olhar.
Não lembra?

Aquela lua
aquela voz
aquele mar.
Aqueles tempos
pessoas em comum.
nada em comum,
lembra?

Olhar nos olhos
espontâneo?
Ou sincero?

Meu nome,
meu endereço,
poema vestido,
molhado de onda levando,

correnteza adentro.

Esqueceu?
Onze anos,
quatorze horas,
dezessete emoção.

Ganhou o dia?
Declaração de dores:
- Quando convém finjo amar,
pretendendo amores.

Que venha maio:
cinema -
comedia romântica -
seu sangue, signo e coração.

Concluo.
Dizem.

Inusitada
nem tanta
simpatia.
Nem pensar
em entrar.
Mas onde estão as portas?

Descobrir os caminhos
dos vales, das pedras.
Entortar os trilhos de Abril:
- Doce Abril.

E você tão passageira
com seus sapatos vermelhos
deixando para trás meus dias tristes.



Lee Flôres Pires